A conformidade com a NR-1 entra em uma nova fase decisiva para as transportadoras.
Atualizada em 2025 para incluir explicitamente os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), a norma encerra seu período orientativo em breve. A partir de maio de 2026, a exigência passa a ser fiscalizada com caráter punitivo, elevando a responsabilidade das empresas sobre o ambiente de trabalho e a saúde mental de seus colaboradores.
Para Ana Jarrouge, presidente executiva do SETCESP, a mudança vai além da burocracia. No setor de transporte, fatores como a urgência permanente, pressão por prazos, longas distâncias e o tempo longe de casa tornam o risco psicossocial uma realidade concreta, manifestada em exaustão e adoecimentos.
“Práticas de gestão que antes eram vistas apenas como ‘jeito de liderar’ podem, hoje, gerar passivo jurídico, afastamentos e questionamentos previdenciários”, destaca Jarrouge.
A norma estabelece que as empresas devem realizar um movimento estruturado para adequação:
• Identificação de fatores: mapear riscos psicossociais baseados nos processos reais e nas equipes.
• Metodologias adequadas: utilizar questionários, entrevistas ou rodas de conversa para avaliação.
• Registro formal: integrar os dados ao PGR ou à Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP).
• Plano de ação: transformar o diagnóstico em medidas preventivas com prazos e responsáveis definidos.
O psicólogo organizacional do SETCESP, Micael Vital, reforça que o levantamento desses riscos exige segurança psicológica, permitindo que os profissionais falem sem medo de retaliações. A liderança é apontada como o eixo central dessa transformação, sendo necessário o envolvimento real da alta direção para que a norma não seja tratada apenas como “mais uma obrigação”.
O SINDETRAP e o SETCESP tem atuado ativamente no suporte às empresas através de comissões técnicas, cursos e materiais orientativos. O objetivo é auxiliar o setor a evitar multas e passivos, transformando a agenda de saúde mental em uma oportunidade para reduzir o turnover e aumentar a produtividade.
Fonte: FETCESP.